Exemplo ilustrativo

Dez pessoas entram em uma reunião de noventa minutos. Cada gerente apresenta o status de seu projeto. A liderança faz perguntas, pede mais informações e comenta os problemas.

A reunião termina sem decidir:

  • qual projeto receberá a equipe compartilhada;
  • quem aprovará a mudança de escopo;
  • se o prazo será mantido ou replanejado;
  • qual risco precisa ser aceito;
  • qual iniciativa será pausada.

Na semana seguinte, os mesmos assuntos voltam para a pauta.

Isso não é um comitê de decisão. É uma apresentação coletiva de status.

Um comitê de projetos só existe de verdade quando possui autoridade, recebe decisões bem formuladas e acompanha o que foi aprovado.

O relatório executivo fornece a informação. O comitê utiliza essa informação para escolher, priorizar, autorizar, corrigir ou interromper.

Se a empresa ainda não possui uma leitura confiável dos projetos, comece pelo artigo Status report de projetos: como criar um relatório executivo que ajuda a liderança a decidir. Sem dados comparáveis, o fórum discutirá percepções. Sem um fórum capaz de decidir, o status report será apenas mais um documento.

O que é um comitê de projetos?

Comitê de projetos é um fórum de governança formado por pessoas com responsabilidade e autoridade para orientar iniciativas, resolver escalonamentos e tomar decisões que ultrapassam a autonomia das equipes.

Dependendo do escopo, ele pode decidir sobre:

  • prioridade;
  • investimento;
  • capacidade;
  • mudanças relevantes de escopo;
  • desvios de prazo e custo;
  • riscos acima da tolerância;
  • dependências entre áreas ou projetos;
  • início, continuidade, pausa ou encerramento de iniciativas.

O Project Management Institute (PMI) relaciona governança à definição de papéis, responsabilidades, procedimentos de decisão, métricas e mecanismos para tratar desvios. O comitê é uma parte dessa estrutura, não a governança inteira.

Um fórum mensal não compensa ausência de patrocinador, prioridades conflitantes ou falta de dados. Ele precisa estar conectado a regras claras de autoridade e escalonamento.

Três reuniões que as empresas costumam confundir

Antes de estruturar o comitê, defina qual problema ele resolverá.

FórumEscopoParticipantes principaisDecisões típicas
Reunião operacionalTrabalho de um projeto ou equipeGerente, líderes de frente e equipeCoordenação de tarefas, impedimentos e ações dentro da autonomia
Comitê diretor de projetoUm projeto ou programa críticoPatrocinador, executivos impactados, gerente e convidadosMudanças relevantes, riscos, investimento e conflitos do projeto
Comitê de portfólioConjunto de projetos e propostasLiderança com autoridade sobre estratégia, orçamento e capacidadePrioridade, entrada, pausa, encerramento, capacidade e riscos transversais

O termo inglês steering committee costuma representar o comitê diretor de um projeto ou programa. Já o comitê de portfólio olha o conjunto e decide onde a organização colocará recursos limitados.

Não existe obrigação de usar esses nomes. O importante é não misturar responsabilidades.

Um comitê de portfólio não deveria discutir a tarefa técnica atrasada de uma equipe. Um gerente de projeto não deveria decidir sozinho qual iniciativa corporativa perderá capacidade.

Quando criar um comitê de projetos?

Um fórum formal faz sentido quando decisões relevantes atravessam a autoridade de uma única pessoa ou área.

Sinais concretos:

  • projetos disputam as mesmas pessoas ou orçamento;
  • riscos afetam mais de uma diretoria;
  • mudanças de escopo alteram benefício, custo ou prazo relevante;
  • patrocinadores não conseguem resolver dependências entre si;
  • decisões executivas ficam semanas sem resposta;
  • prioridades mudam por pressão informal;
  • projetos continuam ativos mesmo quando perderam justificativa;
  • a liderança recebe status, mas não assume escolhas.

Quando vários desses sintomas aparecem ao mesmo tempo, consulte 7 sinais de que sua empresa precisa de governança de projetos para verificar se o problema está no fórum ou em uma lacuna mais ampla de governança.

Quando não criar

Não crie um comitê apenas porque a metodologia prevê uma reunião.

Ele pode ser desnecessário quando:

  • o projeto é simples e possui um patrocinador ativo com autoridade suficiente;
  • as decisões cabem dentro das tolerâncias do gerente;
  • existe outro fórum que já resolve os mesmos assuntos;
  • a reunião teria apenas a função de receber atualização;
  • ninguém com autoridade real participará.

Adicionar um comitê sem eliminar sobreposição aumenta o tempo de governança e não melhora a decisão.

Comece pelo mandato do comitê

Antes de marcar a primeira reunião, escreva uma página com o mandato.

O documento deve responder:

ElementoPergunta
PropósitoQual problema de decisão o comitê resolve?
EscopoQuais projetos, programas ou portfólios estão sob sua responsabilidade?
AutoridadeO que pode aprovar, rejeitar, alterar, pausar ou encerrar?
LimitesQuais decisões pertencem a outro nível?
ParticipantesQuem decide, quem recomenda e quem apoia?
QuórumQuais presenças são obrigatórias para decidir?
CadênciaCom que frequência o fórum ocorre?
EntradasQuais informações precisam chegar antes da reunião?
SaídasComo decisões, ações e escalonamentos serão registrados?
RevisãoQuando o mandato será reavaliado?

Exemplo de propósito

Exemplo ilustrativo

Decidir prioridades, conflitos de capacidade, mudanças acima das tolerâncias e riscos transversais do portfólio de transformação, garantindo alinhamento com a estratégia e execução responsável.

Exemplo de autoridade

Exemplo ilustrativo

O comitê pode aprovar entrada, pausa e encerramento de projetos; alterar prioridade; realocar capacidade entre iniciativas; aprovar mudanças dentro do orçamento delegado; e escalar exceções ao conselho executivo.

Termos vagos como “acompanhar os projetos” não definem mandato. Acompanhar é uma atividade. O mandato precisa indicar decisões.

Defina quem decide o quê

A maior causa de lentidão não é falta de reunião. É falta de autoridade clara.

Uma matriz simples pode distribuir decisões.

Exemplo ilustrativo

Tipo de decisãoGerente do projetoPatrocinadorComitê de projetosConselho ou diretoria executiva
Ajuste dentro das tolerânciasDecideInformadoInformado por exceçãoNão participa
Mudança relevante no projetoRecomendaAprova ou recomendaAprova quando ultrapassa a autoridade do patrocinadorDecide exceções estratégicas
Conflito entre áreasEstrutura opçõesTenta resolverDecide quando envolve múltiplos executivosEscalado apenas se necessário
Prioridade entre projetosInforma impactosDefende o resultado de negócioRecomenda ou decide conforme mandatoAprova quando reservado à estratégia corporativa
Pausa ou encerramentoRecomendaRecomendaDecide conforme mandatoDecide iniciativas estratégicas reservadas
Risco acima da tolerânciaEscalaRecomenda respostaAceita, mitiga, transfere ou escalaDecide exposição excepcional

A tabela é um exemplo. A organização precisa adaptá-la às suas alçadas financeiras, regulatórias e estratégicas.

O princípio é simples:

A decisão deve ser tomada pelo menor nível que possui autoridade, informação e responsabilidade pelas consequências.

Escalar tudo torna a liderança um gargalo. Escalar pouco demais força gerentes a assumir decisões que pertencem ao negócio.

O PMI recomenda que decisões capazes de afetar valor de negócio, custo, prazo ou escopo sejam levadas ao patrocinador. Para funcionar, a governança também precisa definir quais desvios permanecem na autonomia do projeto.

Quem deve participar do comitê?

O grupo central deve ser pequeno o suficiente para decidir e completo o suficiente para assumir impactos.

Não existe quantidade universal. Como referência prática, quatro a sete membros permanentes costuma funcionar melhor do que uma sala com quinze pessoas. Especialistas podem participar apenas dos itens em que sua contribuição é necessária.

Papéis essenciais

Presidente do comitê

  • protege o mandato;
  • confirma a pauta;
  • conduz conflitos;
  • garante que a decisão seja concluída ou escalada;
  • evita transformar a reunião em atualização operacional.

Membros com autoridade

  • avaliam opções e consequências;
  • decidem dentro do mandato;
  • comprometem suas áreas com a execução;
  • evitam enviar representantes sem alçada.

Patrocinador

  • responde pelo resultado de negócio;
  • apresenta ou valida a recomendação;
  • remove barreiras;
  • assume consequências da decisão para o projeto.

Gerente do projeto ou responsável pelo portfólio

  • prepara fatos, opções e impactos;
  • recomenda um caminho;
  • informa o que está dentro ou fora da tolerância;
  • executa ou coordena a decisão aprovada.

PMO ou responsável pela governança

  • organiza o calendário e a pauta;
  • verifica qualidade e comparabilidade das informações;
  • facilita a reunião;
  • registra decisões e ações;
  • acompanha prazos;
  • consolida impactos no portfólio.

Especialistas convidados

  • esclarecem temas técnicos, jurídicos, financeiros ou operacionais;
  • participam apenas dos itens necessários;
  • não substituem quem possui autoridade para decidir.

O PMI observa que o valor do steering committee depende da presença de influenciadores e decisores das áreas afetadas. A representatividade importa, mas presença sem autoridade produz adiamento.

Defina responsabilidades com uma matriz RACI antes de colocar o fórum em operação.

Crie critérios de entrada para a pauta

Nem todo assunto merece tempo do comitê.

Um item deve entrar quando atende pelo menos uma destas condições:

  • ultrapassa uma tolerância aprovada;
  • exige autoridade que o patrocinador ou gerente não possui;
  • afeta prioridade, capacidade ou investimento de mais de um projeto;
  • apresenta risco relevante para estratégia, operação, cliente ou conformidade;
  • precisa de decisão antes da próxima reunião;
  • altera benefício, escopo, prazo ou custo material;
  • exige alinhamento entre executivos com interesses conflitantes.

Itens operacionais devem voltar para as equipes. Informações sem decisão podem ser enviadas no material prévio.

Filtro de pauta

Antes de aceitar um item, pergunte:

  1. Qual decisão precisa ser tomada?
  2. Quem possui autoridade para decidir?
  3. Até quando a decisão é necessária?
  4. Quais opções foram analisadas?
  5. Qual é a recomendação?
  6. O que acontece se o comitê não decidir?

Se o solicitante não consegue responder, o assunto ainda não está pronto.

Use um cartão de decisão

O comitê não deveria descobrir o problema durante a reunião.

Cada item decisório precisa chegar em formato comparável.

CampoConteúdo
Título da decisãoEscolha objetiva em uma frase
ContextoFatos necessários para compreender o problema
PrazoData-limite e consequência do atraso
OpçõesCaminhos viáveis, incluindo não agir quando aplicável
ImpactosPrazo, custo, escopo, benefício, risco e capacidade
RecomendaçãoOpção recomendada e justificativa
AutoridadePessoa ou fórum responsável pela decisão
ExecuçãoQuem implementará a escolha e como será acompanhada

Exemplo preenchido

Exemplo ilustrativo

Título: definir a utilização da equipe de dados nas próximas seis semanas.

Contexto: os projetos de adequação regulatória, ERP Financeiro e canal digital dependem da mesma equipe. A capacidade disponível permite sustentar dois projetos no período. Manter os três ativos comprometerá os marcos já aprovados.

Prazo da decisão: 18 de outubro. Depois dessa data, a adequação regulatória perde a janela necessária para testes.

OpçãoConsequência
A. Proteger adequação regulatória e ERPPausa o canal digital por seis semanas e preserva a obrigação e o projeto estratégico prioritário
B. Dividir a equipe entre os trêsMantém todos ativos, mas desloca os três marcos e aumenta troca de contexto
C. Proteger adequação regulatória e canal digitalPreserva a obrigação e a iniciativa comercial, mas adia a homologação do ERP

Recomendação: opção A. A adequação possui prazo obrigatório e o ERP foi classificado como prioridade estratégica. O canal digital permanece válido, mas deve aguardar capacidade.

Autoridade: comitê de portfólio.

Execução: líderes dos três projetos atualizam planos e previsões em até dois dias úteis após a decisão.

O cartão não elimina o conflito. Ele impede que o conflito seja discutido sem opções e consequências.

Se a organização ainda não possui critérios para ordenar as iniciativas, consulte Como priorizar projetos quando tudo parece urgente.

Envie o material antes da reunião

O tempo do comitê deve ser utilizado para questionar premissas e decidir, não para ler slides.

Envie o material com antecedência suficiente para análise. Em muitos contextos, 24 a 48 horas funciona como regra inicial. Decisões complexas podem exigir prazo maior.

O pacote prévio deve conter:

  • visão executiva do portfólio ou projeto;
  • mudanças desde o último ciclo;
  • projetos fora da tolerância;
  • cartões de decisão;
  • riscos e dependências transversais;
  • conflitos de capacidade;
  • decisões e ações anteriores em atraso;
  • anexos para consulta.

O material precisa ser curto. Se possui cinquenta páginas, ninguém o lerá com a profundidade necessária.

Também defina uma regra: dúvidas de entendimento devem ser enviadas antes da reunião sempre que possível. Assim, o responsável pode complementar fatos sem consumir o fórum inteiro.

Modelo de pauta para 60 minutos

Exemplo ilustrativo

Uma pauta orientada a decisões pode seguir esta estrutura:

TempoItemResultado esperado
5 minAbertura, quórum e pautaConfirmar autoridade e decisões do encontro
5 minDecisões e ações anterioresVerificar execução e tratar exceções
10 minMudanças críticas no portfólioAlinhar fatos que alteram a leitura do conjunto
30 minCartões de decisãoDecidir até três temas prioritários
5 minRiscos e dependências transversaisDefinir resposta, dono ou escalonamento
5 minConfirmação finalRepetir decisões, responsáveis e prazos

Não reserve dez minutos para cada projeto. Projetos verdes e sem decisão podem permanecer no material prévio.

Se existem oito decisões relevantes, o problema não se resolve comprimindo cada uma em três minutos. Priorize a pauta, realize uma sessão extraordinária ou delegue decisões dentro das alçadas.

Como conduzir a reunião

Comece pela decisão, não pelo histórico

Abra o item assim:

Exemplo ilustrativo

Precisamos decidir qual das três iniciativas utilizará a equipe de dados nas próximas seis semanas. A decisão é necessária hoje para preservar a janela regulatória.

Depois apresente contexto, opções e recomendação.

Controle o detalhe

Quando a discussão entrar em execução operacional, pergunte:

Esse detalhe muda alguma opção, consequência ou recomendação?

Se não muda, registre a dúvida para tratamento fora da reunião.

Confirme o método de decisão

O processo precisa estar definido antes do conflito.

Possibilidades:

  • decisão pelo executivo responsável;
  • consenso quando viável, com autoridade final definida;
  • votação conforme regra formal;
  • recomendação do comitê e aprovação em outro nível;
  • delegação a uma pessoa com prazo.

O PMI recomenda definir o método de decisão e o que acontecerá quando o grupo não chegar a uma conclusão.

Buscar consenso em todos os assuntos parece colaborativo, mas pode criar paralisia. O grupo deve ouvir perspectivas relevantes. A autoridade definida precisa concluir a escolha.

Encerre repetindo a decisão

Antes de mudar de assunto, registre verbalmente:

  • o que foi decidido;
  • quem executará;
  • prazo;
  • premissas;
  • projetos afetados;
  • comunicação necessária.

Se os participantes interpretam a decisão de formas diferentes, ela ainda não está completa.

Registre decisões, não transcrições

Uma ata longa não substitui um registro acionável.

Use um decision log:

Exemplo ilustrativo

IDDataDecisãoAutoridadeJustificativaImpactadosResponsável pela execuçãoPrazoStatus
DEC-01418/outPausar canal digital por seis semanas e proteger adequação regulatória e ERPComitê de portfólioObrigação confirmada e prioridade estratégicaTrês projetos e equipe de dadosResponsáveis dos projetos20/outEm execução

O registro evita três problemas:

  • rediscutir uma escolha sem fatos novos;
  • esquecer premissas utilizadas;
  • perder responsabilidade pela execução.

Uma decisão pode ser revista. Para isso, apresente qual premissa mudou e qual novo impacto justifica reabrir o tema.

Registre separadamente ações e decisões. Ação é trabalho a executar. Decisão é uma escolha autorizada.

Fluxo antes, durante e depois do comitê

Exemplo ilustrativo

Três dias úteis antes

  • responsáveis submetem exceções e pedidos de decisão;
  • status e previsões são atualizados;
  • cartões de decisão são preparados.

Dois dias úteis antes

  • PMO ou responsável pela governança verifica dados, opções, autoridade e prazo;
  • itens incompletos retornam para ajuste;
  • o presidente confirma prioridade da pauta.

Um dia útil antes

  • material consolidado é enviado;
  • participantes analisam e encaminham dúvidas;
  • quórum é confirmado.

Durante a reunião

  • decisões anteriores são verificadas;
  • exceções são tratadas;
  • opções e consequências são discutidas;
  • decisões e ações são confirmadas.

Até um dia útil depois

  • decision log e action log são distribuídos;
  • fontes dos projetos são atualizadas;
  • impactos são comunicados às equipes.

Entre os ciclos

  • responsáveis executam ações;
  • decisões urgentes não aguardam a próxima reunião;
  • mudanças materiais são escaladas conforme tolerâncias.

Esse fluxo pode ser mais curto ou mais longo. O importante é evitar que a preparação comece poucas horas antes e que as decisões desapareçam depois.

Entenda como o fórum se integra à implantação da governança.

Como medir se o comitê funciona

Não avalie o fórum apenas por presença ou duração.

Indicadores úteis:

IndicadorO que revela
Tempo médio para decisãoVelocidade entre escalonamento e escolha
Decisões tomadas no prazoCapacidade de agir antes do impacto
Decisões reabertas sem fato novoFragilidade de autoridade ou registro
Ações concluídas no prazoDisciplina de execução após a reunião
Itens devolvidos por falta de informaçãoQualidade da preparação
Percentual da reunião usado em decisãoSe o fórum está orientado a escolhas ou status
Ausência de decisores obrigatóriosRisco de adiamentos por falta de quórum
Projetos acima da capacidade aprovadaSe decisões de prioridade estão sendo cumpridas

Não transforme esses indicadores em mais burocracia. Use poucos dados para identificar gargalos reais.

Use indicadores com limites e decisões associadas para preparar e acompanhar o fórum.

Uma meta prática pode ser reduzir decisões vencidas e aumentar a proporção do tempo dedicada a exceções e escolhas. O valor do comitê aparece quando projetos deixam de esperar indefinidamente por direção.

Comitê de projeto ou comitê de portfólio?

Use um comitê diretor de projeto quando a iniciativa possui alta criticidade, múltiplas áreas e decisões específicas que exigem patrocínio recorrente.

Use um comitê de portfólio quando o principal problema está entre iniciativas:

  • qual projeto começa;
  • qual projeto pausa;
  • como distribuir capacidade;
  • onde investir;
  • como tratar dependências e riscos transversais;
  • como manter alinhamento com a estratégia.

Uma empresa pode ter os dois. Nesse caso, desenhe o caminho de escalonamento para evitar que o mesmo tema percorra várias reuniões sem decisão.

Para organizar a visão que alimenta o fórum, consulte Como organizar um portfólio de projetos sem criar burocracia.

Dez erros que transformam o comitê em perda de tempo

1. Não definir mandato

Cada participante chega com uma expectativa diferente sobre o que o fórum pode decidir.

2. Convidar muita gente sem papel claro

A reunião cresce, as falas se multiplicam e a responsabilidade se dilui.

3. Aceitar representantes sem autoridade

O tema é apresentado, mas precisa voltar em outro encontro para aprovação.

4. Revisar todos os projetos

O tempo termina antes das exceções e decisões relevantes.

5. Receber material durante a reunião

Os decisores descobrem fatos e riscos sem tempo para análise.

6. Escalar problemas sem opções

O comitê precisa reconstruir a análise que deveria ter sido preparada.

7. Buscar consenso obrigatório

Conflitos legítimos ficam sem conclusão porque ninguém possui a palavra final.

8. Registrar uma ata extensa e decisões vagas

Todos recebem o documento, mas ninguém sabe exatamente o que executar.

9. Não acompanhar decisões anteriores

O fórum escolhe, porém recursos, cronogramas e prioridades continuam iguais.

10. Manter o comitê mesmo quando perdeu utilidade

O contexto muda, mas pauta, participantes e cadência permanecem por hábito.

Plano para implantar o comitê em 30 dias

Exemplo ilustrativo

Semana 1: definir o problema

  • identificar decisões que estão atrasando projetos;
  • mapear fóruns existentes;
  • escolher entre comitê de projeto, portfólio ou ajuste de fórum atual;
  • nomear patrocinador da governança.

Semana 2: desenhar o mandato

  • definir propósito, escopo e autoridade;
  • estabelecer tolerâncias e escalonamento;
  • selecionar participantes e quórum;
  • criar matriz de decisão.

Semana 3: preparar a operação

  • criar pauta padrão;
  • definir critérios de entrada;
  • implantar cartão de decisão;
  • criar decision log e action log;
  • definir calendário e prazos do material prévio.

Semana 4: realizar o primeiro ciclo

  • selecionar poucas decisões reais;
  • revisar a qualidade do material;
  • conduzir a reunião;
  • publicar decisões;
  • colher feedback e ajustar o processo.

Não tente resolver toda a maturidade no primeiro encontro. O objetivo inicial é provar que o fórum consegue receber um conflito real, decidir no prazo e fazer a escolha chegar à execução.

Quem deve operar essa governança?

A empresa pode manter a rotina com:

  • responsável interno pelo portfólio;
  • PMO interno;
  • estrutura temporária de implantação;
  • modelo híbrido;
  • serviço gerenciado.

O modelo interno funciona quando existe capacidade para preparar informações, cobrar atualizações, facilitar conflitos, registrar decisões e acompanhar execução com independência suficiente.

Se essa capacidade não existe, o PMO as a Service (PMOaaS) pode operar continuamente a governança do portfólio, incluindo status executivo, pauta, riscos, dependências, decisões e acompanhamento.

Se a necessidade de operação recorrente já estiver clara, consulte a página do PMOaaS da ORQENA. A confirmação do modelo deve considerar as causas, a maturidade e a capacidade interna disponível.

Isso não torna o PMOaaS a resposta automática. Se a causa é apenas falta de desenho, o PMO Setup pode estruturar o modelo e transferir a operação. Se a empresa ainda não sabe onde estão as falhas, o PMO Diagnostic pode avaliar papéis, alçadas, fóruns, dados e capacidade antes de recomendar uma solução.

Quando o desafio está no gerenciamento de um projeto ou programa crítico específico, o PMaaS pode assumir a coordenação da execução. Para entender a separação entre governança do conjunto e gestão das iniciativas, leia PMOaaS e PMaaS: qual é a diferença?

A escolha entre operação interna e serviço está aprofundada em PMO interno ou PMOaaS: qual modelo escolher?

Perguntas frequentes sobre comitê de projetos

O que faz um comitê de projetos?

Orienta iniciativas, resolve escalonamentos e decide temas acima da autonomia das equipes, como mudanças relevantes, riscos, prioridades, capacidade, investimento, pausa ou encerramento.

Qual é a diferença entre reunião de status e comitê?

A reunião de status compartilha informações e coordena acompanhamento. O comitê possui mandato e autoridade para tomar decisões. Um status executivo pode alimentar o comitê, mas não substitui a decisão.

Quem deve participar?

Pessoas com autoridade sobre os impactos discutidos, patrocinadores, responsável pela gestão e apoio de governança. Especialistas podem ser convidados conforme a pauta. Evite participantes permanentes sem papel decisório ou consultivo claro.

O gerente de projetos deve participar?

Sim, normalmente prepara fatos, opções, impactos e recomendações, além de coordenar a execução das decisões. A autoridade final depende das alçadas definidas.

Com que frequência o comitê deve ocorrer?

Depende da criticidade e da velocidade das decisões. Um ciclo mensal pode funcionar para portfólios estáveis. Projetos críticos podem exigir reunião quinzenal. Exceções urgentes não devem esperar o calendário.

Quantos projetos devem ser apresentados?

Somente os que possuem mudança relevante, exceção, conflito ou decisão. Projetos estáveis podem permanecer no material prévio.

O comitê precisa decidir por consenso?

Não. O método precisa ser definido no mandato. O grupo pode buscar consenso, mas deve existir uma autoridade final ou caminho de escalonamento para evitar paralisia.

Como evitar que a reunião fique operacional?

Use critérios de entrada, cartões de decisão, material prévio e pauta por exceção. Quando um detalhe não altera opções ou impactos, encaminhe-o para tratamento fora do fórum.

O que registrar depois da reunião?

Decisões, autoridade, justificativa, premissas, projetos afetados, responsáveis, prazos e ações. Evite depender apenas de uma transcrição extensa.

É obrigatório ter um PMO?

Não. A função pode ser exercida internamente por outro responsável. O importante é existir capacidade para preparar, facilitar, registrar e acompanhar. Um PMO se torna mais relevante quando volume, complexidade e necessidade de padronização aumentam.

Conclusão

Um comitê de projetos não deveria existir para ouvir apresentações. Ele deveria existir para resolver conflitos que as equipes e patrocinadores não conseguem resolver sozinhos.

Comece pelo mandato. Defina escopo, autoridade, participantes, quórum e alçadas. Leve para a pauta apenas exceções e decisões. Exija opções, impactos e recomendação. Registre a escolha e acompanhe sua execução.

Quando o fórum funciona, a organização reduz espera, protege prioridades e assume as consequências de suas decisões. Quando não funciona, apenas adiciona uma reunião à agenda de pessoas já sobrecarregadas.

Veja como o PMO organiza fóruns, alçadas e acompanhamento de decisões.

A ORQENA ajuda organizações a transformar reuniões de status em governança capaz de decidir e executar. Fale com a ORQENA para avaliar a menor estrutura adequada ao seu cenário.

Sobre o autorPedro Settanni

Gerente de Projetos e fundador da ORQENA.